terça-feira, 25 de outubro de 2011

Communicare

A idéia deste blog surgiu durante uma aula de Teoria Psicanálitica na Universidade Federal de Mato Grosso. A intenção é poder colocar as teorias que me surgem no decorrer dos meus estudo de psicanálise, considerando como base a psicanálise freudiana, mas sem deixar de lado outros autores que trabalham com o tema. Será aproveitado o espaço para postagem de trabalhos acadêmicos de relevância para a área, bem como relatórios de estágios onde eu usarei as teorias psicanalíticas.
Aproveitando a deixa, explanarei nesta postagem de hoje meus primeiros esboços sobre algo que veio me intrigando nas ultimas semanas.
Neste mês, venho acompanhando a rotina de alunos de uma escola especial para deficientes auditivos na cidade de Cuiabá, e foi aí que me ocorreu a dúvida: Como a psicanálise poderia trabalhar com um deficiente auditivo, seria a linguagem de sinais suficiente para o analista? E mais, como seriam percebidos os atos falhos e chistes?
O que mais pareceu concreto para mim, foi o texto Linguagem do Silencio: Psicanálise e Surdez de Paulo César da Silva Gonçalves, onde ele aborda a psicoterapia com pacientes surdos. Mais tarde achei minha “menina dos olhos” ao ler o texto de Maria Cristina Petrucci Solé, A Clínica Psicanalítica em Língua de Sinais: algumas reflexões de uma analista ouvinte sobre esta prática, onde a abordagem psicanalítica é usada no atendimento de pessoas com deficiência auditiva.Muito embora eu tenha que confessar que apenas “passei os olhos” por todo o texto, já deu pra perceber que será de grande relevância para um trabalho futuro, alem de que, seu texto não sanou minhas duvidas e sim, fez aparecer outra ainda maior em minha mente.Tenho honra de dizer, que tenho como professora, a Doutora Maria Aparecida Morgado, autora do livro “Da sedução na relação pedagógica: professor-aluno no embate com afetos inconscientes.” e em conversa com a mesma, expus a duvida que havia rondando em minha mente por dias. Me baseei um pouco nos relatos do seu livro para a exposição: como a psicanálise atuaria no campo da deficiência auditiva e como se daria a relação transferencial, entre o deficiente auditivo surdo-mudo e seu professor? Entendemos que em uma criança sem deficiência, a re-edição da relação original acontece e o individuo toma o professor como protótipo dos pais. Acontece todo o processo ambivalente, assim como na relação original, os recalques, as sublimações das pulsões sensuais e todo o conflito edipiano. Mas, e quando falamos de um deficiente auditivo surdo-mudo? O processo se daria da mesma forma? Ou a falta de comunicação articulada, de certa forma, comprometeria a constituição egoica a ponto de influenciar nas fases sexuais decorrentes? Como se daria a relação aluno-professor neste caso, uma vez que o professor trataria de forma mais “especial” este aluno?

R.P.

Um comentário:

  1. Acredito que esse será o primeiro de muitos! E estou torcendo para isso ^^ Parabéns pela iniciativa e pelo conteúdo e proposta.

    Cya

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