Todavia, na ultima semana, um fato me chamou a curiosidade. Pessoas que se diziam ateias publicando em redes sociais toda a sua não crença, todo o seu repúdio, e por que não dizer, todo o seu ódio para com aqueles outros que se diferenciam apenas pelo fato de acreditar. Tenho para mim, que assim como eu não preciso sair anunciando minhas crenças, não é necessário que eu faça o mesmo com a minha descrença. Lembro que a frase parecia com algo “sou feliz sem Deus”, ótimo, que bom que a pessoa está feliz, mas qual o motivo de completar a frase e colocar suas crenças religiosas? Que o leitor me entenda, eu não estou querendo fazer julgae que é digna de temor, a proposta é apenas tentar entender o porque que se faz necessário sair as ruas gritando em algo e bom som aquilo que você pensa. Não saímos por ai gritando: “EU ACREDITO EM FREUD”, “Eu não”. Acredito que nossos conceitos ideológicos são bem vistos quando se apresentam sem alarde, sem balburdio.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Silêncio
Todavia, na ultima semana, um fato me chamou a curiosidade. Pessoas que se diziam ateias publicando em redes sociais toda a sua não crença, todo o seu repúdio, e por que não dizer, todo o seu ódio para com aqueles outros que se diferenciam apenas pelo fato de acreditar. Tenho para mim, que assim como eu não preciso sair anunciando minhas crenças, não é necessário que eu faça o mesmo com a minha descrença. Lembro que a frase parecia com algo “sou feliz sem Deus”, ótimo, que bom que a pessoa está feliz, mas qual o motivo de completar a frase e colocar suas crenças religiosas? Que o leitor me entenda, eu não estou querendo fazer julgae que é digna de temor, a proposta é apenas tentar entender o porque que se faz necessário sair as ruas gritando em algo e bom som aquilo que você pensa. Não saímos por ai gritando: “EU ACREDITO EM FREUD”, “Eu não”. Acredito que nossos conceitos ideológicos são bem vistos quando se apresentam sem alarde, sem balburdio.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Posso pensar que Deus... Sou eu?
Ao que me parece, Freud, que já conhecia Nietzsche por Breuer, certamente leu seus escritos e algum deles deve tê-lo inspirado a escrever Futuro de uma Ilusão e Mal-Estar na Civilização. Nada que todas as teorias de Freud não tenham complementado! É incrível quando lemos O Anticristo de Nietzsche e Futuro de uma Ilusão, o quão parecido eles conseguem ser! Citarei um pouco de cada:
“Em toda a psicologia do Evangelho faltam noções de culpa e de castigo; de igual modo, a noção de recompensa. O ‘pecado’, toda relação de distância entre Deus e o homem, é suprimido – essa é precisamente a ‘boa-nova’. A felicidade eterna não é prometida, não está vinculada a condições: ela é a única realidade – o resto é sinal para falar dela.
Os resultados de tal ponto de vista projetam-se em um novo estilo de vida, um estilo de vida especialmente evangélico. Não é a “fé” que o distingue do cristão; a distinção se estabelece através da maneira de agir; ele age diferentemente. Não oferece resistência, nem em palavras, nem em seu coração, àqueles que lhe são opositores. Não vê diferença entre estrangeiros e conterrâneos, judeus e pagãos (“próximo”, é claro, significa correligionário, judeu). Não se irrita com ninguém, não despreza ninguém. Não apela às cortes de justiça nem se submete às suas decisões (“não prestar juramento”). Nunca, quaisquer sejam as circunstâncias, se divorcia de sua esposa, mesmo que possua provas de sua infidelidade. — No fundo, tudo isso é um princípio; tudo surge de um instinto. —
A vida do salvador foi simplesmente professar essa prática — e também em sua morte... Não precisava mais de qualquer formula ou ritual em suas relações com Deus — nem sequer da oração. Rejeitou toda a doutrina judaica do arrependimento e recompensa; sabia que apenas através da vivência, de um estilo de vida alguém poderia se sentir “divino”, “bem-aventurado”, “evangélico”, “filho de Deus”. Não é o “arrependimento”, não são a “oração e o perdão” o caminho para Deus: apenas o modo de viver evangélico conduz a Deus — isso é justamente o próprio o “Deus”! — O que os Evangelhos aboliram foi o judaísmo presente nas idéias de “pecado”, “remissão dos pecados”, “salvação através da fé” — toda a dogmática eclesiástica dos judeus foi negada pela “boa-nova”.
O profundo instinto que leva o cristão a viver de modo que se sinta “no céu” e “imortal”, apesar das muitas razões para sentir que não está “no céu”: essa é a única realidade psicológica na “salvação”. — Uma nova vida, não uma nova fé.” (NIETZSCHE, Friederich. O Anticristo. Capítulo 33. São Paulo: Escala, p. 65-66. 1888)
Não satisfeito agora eu cito Freud, em seu texto o Futuro de uma Ilusão, de 1927. O texto se encontra no capítulo 7, e é apenas um trecho do mesmo, o suficiente para vermos a semelhança:
“Tendo identificado as doutrinas religiosas como ilusões, somos imediatamente defrontados por outra questão: não poderão ser de natureza semelhante, outros predicados culturais de que fazemos alta opinião e pelos quais deixamos nossas vidas serem governadas? Não devem as suposições que determina nossas regulamentações políticas serem chamadas também de ilusões? E não acontece que, em nossa civilização, as relações entre os sexos sejam perturbadas por uma ilusão erótica ou certo número dessas ilusões? E, uma vez despertada nossa suspeita, não nos esquivaremos de também perguntar se nossa convicção de que podemos aprender algo sobre a realidade externa pelo emprego da observação e do raciocínio no trabalho científico, possui um fundamento melhor. Nada deveria impedir-nos de dirigir a observação para nossos próprios eus e de aplicar o pensamento à crítica dele próprio...”
O que ambos perceberam é a ilusão de acreditar num Deus todo poderoso que foi capaz de criar um ser tão neurótico como o ser humano. Entre outras muitas coisas.
Erick D'elia