quarta-feira, 4 de abril de 2012

Análise do Sonho #1

Após este tempo ocioso em que este lugar de expressões psicanalíticas entrou no final do ano, voltamos ao trabalho e as idéias voltam a correr nas linhas rabiscadas pela ponta dos lápis.
Freud nos apresenta os sonhos como forma de comunicação do inconsciente, evidenciando desejos que, outrora recalcados, nos vem à consciência através de processos oníricos. O pai da Psicanálise percebe o trabalho que poderia ser realizado no setting para comunicação com o inconsciente.
Um sonho de contexto fundamentalmente edipiano foi trazido para discussão dos autores deste blog. Um rapaz de vinte anos, que mora com os pais e há muito terminou um relacionamento de três anos contou-nos um sonho: “Lembro-me que o sonho começou comigo na minha cama, em meu quarto. Só que meu quarto estava invertido, como se estivesse em um espelho. Minha mãe entrou no meu quarto para se despedir, pois estava indo ao trabalho. Recordo-me que era sábado, pois usava roupas casuais. Ao fechar a porta e eu ouvir as chaves da porta trancando-a virei-me de lado e minha ex estava deitada ao meu lado. Começamos a nos acariciar e tiramos nossas roupas. Após um tempo nas preliminares, quando eu me levantei para penetrá-la, no lugar do clitóris estava o meu pênis. Olhei-a assustado e ouvi as chaves da porta girando. Empurrei a garota para o lado e a cobri com uma manta. Deitei-me na cama e minha mãe entrou dizendo que tinha esquecido de se despedir. Quando ela veio para me dar um beijo no rosto eu acordei.” Após o relato do sonho, ele nos contou o quando se sentia dependente quando ainda namorava a garota e que esta dependência prosperava até então.
Podemos perceber aqui, que o sonho evidenciou exatamente isto. A imagem que ilustra sua dependência era o seu falo posto na garota de quem ele dependia na época do relacionamento.
Freud estabelece através de seus estudos dos processos oníricos que os sonhos são uma tentativa de realização (mesmo que parcial) de desejos, de moções pulsionais que passaram por um processo recalcador. Mas como poderia haver nesse sonho (que se constituiu como pesadelo para o sonhador, portanto, uma experiência desprazerosa) alguma realização de desejo?
Acontece que quando do estabelecimento do recalque aquela satisfação da pulsão que
originalmente causaria prazer passa a causar desprazer pelo simples motivo de ir contra as exigências superegóicas. O pesadelo, então seria a realização de um desejo, por assim dizer, proibido, de dificílima aceitação dentro do sistema de valores morais do sujeito.
Já que está justificada aqui a possibilidade da realização de um desejo através de um pesadelo, que tal mais algumas reflexões? A repetição da entrada da mãe no quarto para se despedir pode ser interpretada como um querer afastar-se da garota pela qual ele ainda se mostra dependente, uma vez que relata que mantém contato? Ou será que isso não diz de um desejo de manter-se dependente, atrelado à mãe, desejo incestuoso, barrado pelas convenções da cultura (o que tem mais a ver com a configuração do sonho e, mais especificamente, do pesadelo)?
Fica aqui aberta à discussão dos leitores em geral quanto à significação aplicada
aos elementos do sonho.

Um comentário:

  1. Vamos por partes. Antes de tudo o mais, adoro uma selvageria! So, JUMP!
    Bem, tenho que expor argumentos de minha reflexão, que geram mais perguntas do que respostas, mas quem quer respostas?
    Primeiro: quarto invertido; Segundo: Despedida da mãe; Terceiro: troca de genitália; Quarto - fuga; Quinto - volta da mãe, para se despedir.
    Vejam bem, falou-se de desejo recalcado, de incesto e de imposições sociais. Aí me aparecem Pênis, no objeto de desejo, despedida da mãe. Só posso pensar uma coisa, a princípio: Homossexualidade.
    Obviamente que é selvageria, contudo é o que coloco a princípio, para inflamar a discussão e chegarmos a um ponto em comum. DISCUTAM AE!

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